Unioeste trabalha na produção de leite orgânico em assentamentos rurais

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A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) é hoje uma das principais forças em prol do desenvolvimento sustentável no setor rural.  A Instituição atua por meio de projetos de pesquisa, de extensão e práticas de ensino com técnicas voltadas à agroecologia, na produção de alimentos e também em pecuária orgânica.  Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que um terço dos solos do mundo está degradado e a Universidade entra nessa luta mundial de preservação e restauração ecológica

Entre as tantas ações, destaca-se o Projeto “Produção de leite de base agroecológica em assentamentos rurais no Oeste do Paraná”, produtores e familiares na região de forma indireta, desenvolvido de forma permanente, cadastrado junto à Pró-Reitoria de Extensão, mas também com grande alcance na pesquisa. O projeto está vinculado aos cursos de Zootecnia, Programa Stritco Sensu em Zootecnia, curso de Agronomia e ao Núcleo de Estudos de Produção Agroecológica de Leite (NEPAL), todos em funcionamento no Campus de Marechal Cândido Rondon.

O projeto surgiu a partir de projetos aprovados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em associação com a Itaipu Binacional e o Programa Universidade Sem Fronteiras e atualmente está ativo em assentamentos os municípios de Vera Cruz do Oeste, Diamante do Oeste, Ramilândia e São Miguel do Iguaçu, em aproximadamente 7 mil hectares de terra.

A coordenadora do projeto, professora Maximiliane Alavarse Zambom, diz que o objetivo da iniciativa é evitar que esse quadro se intensifique, a agricultura tem um papel fundamental. “Por meio de técnicas sustentáveis de plantio é possível aumentar a qualidade do solo, permitindo que ele continue sendo uma importante fonte de serviços naturais que beneficiam toda a sociedade”.

O projeto do leite é desenvolvido pelos pesquisadores, sob a supervisão de doutores na área, a no assentamento rural Ander Rodolfo Henrique em Diamante D´Oeste. No momento, a meta é conseguir desenvolver um leite totalmente orgânico.

O leite orgânico é produzido sem a utilização de agrotóxico ou fertilizantes químicos na alimentação do animal e, por isso, favorece o meio ambiente. Apesar de ter a mesma composição química do leite obtido de forma convencional, o que difere o leite orgânico ou agroecológico, que é  produzido principalmente à base de pasto, sem o uso de insumos externos a propriedade. A principal diferença entre os referidos sistemas é a utilização ou não de adubos, agrotóxicos e ração como forma de suplemento alimentar aos animais.

O projeto agrega o assentamento Ander Rodolfo Henrique em Diamante D´Oeste-PR. Naquela área, há 108 famílias assentadas e distribuídas em uma área total de 3.097,69 hectares; o assentamento 16 de maio em Ramilândia formado por 220 famílias que ocupam uma área de 2.356 hectares e o Assentamento Antônio Companheiro Tavares,  80 famílias em 1.098 hectares de terra. O outro assentamento é o Santa Isabel

Os manejos que se enquadram no conceito de agroecologia e pressupõem a prática da agricultura orgânica e o emprego de tecnologias limpas, gerando menos externalidades ambientais negativas.

Com o apelo mundial em prol da preservação ambiental, os projetos voltados a essa área tem princípios ecológicos básicos para o estudo e tratamento de ecossistemas tanto produtivos quanto preservadores dos recursos naturais, e que sejam culturalmente sensíveis, socialmente justos e economicamente viáveis, proporcionando assim, um agroecossistema sustentável.

A professora elucida que o projeto está em consonância coma a conservação e ampliação da biodiversidade dos ecossistemas tendo em vista o estabelecimento de numerosas interações entre solo, plantas e animais, ampliando a auto regulação do agroecossistema da propriedade.

Atualmente a agroecologia assegura condições de vida e do solo que mantenham a produção sem causar danos ao meio ambiente. Na Unioeste, há projetos dessa natureza nas áreas de cobertura permanente do solo (viva ou mülching), adubação verde, proteção contra os ventos, práticas de conservação do solo (controle da erosão), rotação de culturas, consorciação de culturas e cultivo.

A maior parte dos projetos na área de desenvolvimento sustentável, estão sendo desenvolvidos em assentamentos rurais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - (Incra) e movimentos sociais, organizações não governamentais (ONGs), entre tantos outros parceiros.

 

Por Mara Vitorino.